
Em 1914, quando Dorival Caymmi nasceu, a Música Popular Brasileira ainda estava sendo fundada.
Naquele ano, pela primeira vez, uma composição da MPB entraria nos salões da República, através de um tango de Chiquinha Gonzaga, intitulado Gaúcho, interpretado por ninguém menos que Nair de Tefé, esposa do presidente Hermes da Fonseca.
De 1933, quando compôs No sertão, considerada sua primeira música, até 2001, ano em que compôs, com quase 90 anos de idade, o tema de abertura da novela Porto dos Milagres, em parceria com o filho Danilo, Dorival Caymmi freqüentou assiduamente as paradas de sucesso.
Em 1938, recém chegado ao Rio de Janeiro, teve seu samba O que é que a baiana tem?, incluído na trilha sonora do filme Banana da Terra, ajudou a impulsionar a carreira de Carmem Miranda, que, dois anos depois já estreava seu primeiro filme gravado nos Estados Unidos. O próprio Dorival Caymmi teria dado instruções para a Pequena Notável, dançar a música e compor a personagem, travestida de baiana, com muitos balangandãs.
Daí em diante, a Música Popular Brasileira foi sendo enriquecida pela melodia de Caymmi em uma sucessão de obras, tão singelas quanto geniais: Rainha do mar, Promessa de pescador, Noite de temporal, O samba da minha terra, É doce morrer no mar (com versos de Jorge Amado), A jangada voltou só, Você já foi à Bahia?, Vatapá, Rosa Morena, Peguei um ita no Norte, Dora, Marina, Saudade de Itapoã, Nem eu, João Valentão, Só louco, Maracangalha, Saudades da Bahia, Eu não tenho onde morar.
Em 1964, João Gilberto regravou (novamente) O samba da minha terra, em um show ao vivo no Carnegie Hall. Neste mesmo ano, Caymmi gravou um disco com Tom Jobim e lançou a valsa Das rosas, que fêz grande sucesso nos Estados Unidos, onde ele excursionou e gravou um disco.
Nunca parou de compor e de cantar, a não ser para se dedicar à pintura, outra paixão do artista. Em 1975, Modinha para Gabriela, composta para a trilha sonora da novela Gabriela, alcançou enorme sucesso na voz de Gal Costa.
Artista ímpar e fundamental, Caymmi deixou canções gravadas no fundo da alma, dessas que a gente relembra, cantarola e assobia quase sem querer. Algumas são verdadeiros hinos, outras são pequenas obras primas. A Música de Caymmi é uma relíquia, um monumento, um gênero à parte.
Viva Caymmi!



0 comentários:
Postar um comentário